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  • Antonio Pietrobelli

Shoppings têm alta em vendas desde início da pandemia

Os shoppings centers registraram o primeiro resultado positivo de vendas desde o início da pandemia, como revela estudo feito pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce). Na semana de 23 a 29 de novembro, os empreendimentos tiveram crescimento de 22,5% nas vendas - considerando o ajuste de sazonalidade do carnaval - em relação ao período equivalente da fase pré-pandemia (última semana de fevereiro deste ano). Sem considerar os efeitos do carnaval, a alta seria ainda maior, de 32,5%. Em relação à semana equivalente do mês anterior, houve aumento de 52,8% nas vendas. Os dados são apurados em parceria com a Cielo e compõem o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), que identifica as vendas do chamado "varejo total", com separação por lojas de shopping center e rua.

"Este crescimento expressivo observado em todas as regiões do país foi fortemente influenciado pelas vendas da Black Friday", afirma Glauco Humai, presidente da Abrasce. O Norte do Brasil, primeira região a ter todos os shoppings reabertos, apresentou na semana de 23 a 29 de novembro o maior crescimento (77,8%), seguida por Centro-Oeste (45,7%); Nordeste (42%); Sul (23,6%) e Sudeste (9,3%). Considerando o desempenho das vendas nos shoppings no período de 2 de março a 29 de novembro, as perdas acumuladas totalizam 46,2%. No entanto, isso ainda demonstra uma recuperação gradual do setor neste ano.

Quando comparamos o setor de shopping centers com outros segmentos do varejo, verificamos que o único com desempenho positivo no mês de outubro em relação ao mesmo período de 2019 foi o de supermercados, com crescimento de 14,4%. Nas drogarias, a queda registrada foi de 1,7%. Setores como o turismo e transportes e bares e restaurantes continuam sendo os que têm apresentado as maiores perdas, de 51% e 26,4%, respectivamente. No setor de vestuário a queda foi de 13,5%, já em móveis, eletros e lojas de departamentos as perdas foram de 0,2% no mesmo período.

Já o Balanço de Vendas, indicador da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) com base nos dados fornecidos pela Boa Vista S/A, aponta que houve uma elevação média de 17,1% em novembro, comparada ao mesmo período de outubro. Isso significa uma queda de apenas 5% nas vendas se levarmos em consideração o movimento do comércio em novembro de 2019, período fora de contexto da pandemia.

A recuperação econômica gradativa iniciou-se em junho, quando as medidas de flexibilização começaram a valer para o comércio. Desde então, as perdas foram se diluindo com retrações de 54,9%, 47,7%, 33,6%, 14,6% e 9,2% (junho, julho, agosto, setembro e outubro respectivamente). Se estes 5% de agora zerarem em dezembro, a economia terá mostrado que há fôlego para um futuro crescimento.

Em um cenário sem pandemia, a Associação Comercial de São Paulo projetava em janeiro um crescimento nas vendas em torno de 3% para o ano de 2020. No entanto, a realidade de hoje projeta que o ano se encerrará com perda total de 4,5% comparada aos números de 2019. "É como se este ano não tivesse existido", afirmou Marcel Solimeo, economista da ACSP. "Acreditamos que a passagem por 2021 será como se estivéssemos indo ainda para 2020 agora", analisou. "Crescimento, mesmo, só acreditamos que vá ocorrer em 2022", emendou.

Este cenário um pouco menos pessimista do ano, em novembro, deveu-se muito também às promoções da Black Friday. "Embora não tenhamos ainda um balanço definitivo dessas vendas, as prévias indicam que já podemos considerar o período de promoções como sendo bem-sucedido para o comércio, principalmente, para os varejistas que trabalham com e-commerce. As lojas online impactaram este Balanço de Vendas do mês de forma positiva".

No auge das quedas históricas para o setor em 2020, os indicadores, quando baseados nos mesmos períodos de 2019, marcaram em março, recuo de 27%; em abril, de 63,8%; e em maio, de 67%. Foi a partir daí que a economia mostrou sinais de recuperação e que promete fechar o ano sem perda comparada a um dezembro que já passou.

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